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Equilíbrio entre Vida Pessoal e Profissional



Recentemente postei uma caixinha no instagram perguntando às pessoas sobre suas expectativas para 2024.


Uma das seguidoras, ex-aluna e cliente muito querida, escreveu sobre sua necessidade de se colocar um real equilibrio entre vida pessoal e profissional e também o desejo de não se trabalhar apenas para sobreviver. Um assunto que rende reflexões muito importantes e necessárias.


Pedi a ela para me explicar um pouco mais sobre o contexto a que se referia. Ela, lindamente, me descreveu seu posicionamento com base na sua realidade de vida, veja só:


"Vivemos trabalhando 8h, 2h de deslocamento (ida e volta), vamos a academia correndo ou estudamos correndo e já começamos tudo novamente. Trabalhamos sem tempo para aproveitar os ganhos, sempre somos chamados a horas extra, plantões, viagens que as empresas apresentam como vantagens e crescimento. Mas retira da gente mais tempo para fazer programas fora do trabalho. Ah... E as férias? É um tempo para o descanso. Mas é ilusório. Geralmente fazemos as coisas que o dia dia no corporativo não permite, médicos, organização de reformas ou ajustes em casa, levar as crianças aos médicos ou vacinas, entre outros. Planejamos descansar e viajar mas a carga de trabalho anterior é tão grande, que estamos exaustos e seguimos correndo para resolver as coisas fora trabalho.

A sobrevivência vem no sentido que o formato do trabalho atual nos coloca no lugar de dedicar praticamente nosso tempo todo no trabalho para ser produtivo, competente, bom funcionário. Não paga se valores correspondentes a essa dedicação. E nos incentiva a trabalhar cada dia mais. Entendo que viver é conseguir realizar o trabalho e também conseguir fazer uma atividade física, estudar, cuidar dos filhos, ter um tempo com a família."


Seu depoimento me tocou! Não é a primeira vez que recebo esse tipo de colocação sobre a busca de um equilíbrio na vida. Fala-se muito sobre bem-estar, mas na prática a coisa ainda é bem distante! E isso se aplica tanto para alta liderança quanto para os colaboradores de linha de frente - mudam-se os perrengues, mas a qualidade de vida segue deteriorada de alguma maneira, cada uma dentro do seu contexto.


Nosso país ocupa o 2º lugar em número de casos diagnosticados da Síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento físico, emocional e mental causado pelo estresse crônico no trabalho, superado apenas pelo Japão, onde 70% da população é afetada pelo problema.


Apesar de algumas empresas adotarem alguns programas de bem-estar ou até mesmo encherem seus espaços com piscinas de bolinhas coloridas, mesas de ping-pong e tudo o mais (como se isso fosse resolver o problema), o ritmo alucinante de trabalho e a cultura da alta performance a qualquer custo ainda predomina. A exigência de estar bem o todo o tempo é mais um fator estressor, contribuindo para essa estatística e desviando o olhar para a realidade de grande parte dos colaboradores como descrito pela leitora.


O Corporativo vive uma séria crise na área de saude mental e ainda insiste em tapar o sol com a peneira criando soluções que não resolvem de verdade! Uma cultura onde o Ter é excessivamente exaltado e o lucro a qualquer custo ainda é o propósito. Rever essa mentalidade, valores de vida, as necessidades do Planeta e de seus habitantes é uma atitude urgente e necessária e a mudança de um estilo de trabalho exaustivo para um sustentável só virá de posicionamentos assertivos e coerentes por parte da mais alta liderança - o que está no 'papel' precisa ser vivenciado na prática pelos líderes e ser inserido no cotidiano da empresa. Para isso há se abrir mão de alguma(s) coisa(s)!


Enquanto isso não acontece...os meros mortais vão se adequando e encontrando suas maneiras de manter sua saúde mental e física nesse turbilhão da vida. Mas, calma, tem jeito...algumas atitudes são necessárias e aqui minha orientaçao é buscar ajuda profissional de um terapeuta que entende a realidade do contexto corporativo. Além disso, precisamos:


  • reconhecer que não é possivel ter tudo ao mesmo tempo - então, vamos deixar de lado a síndrome de super heroi e aceitar nossa humanidade e limitações;

  • procurar ver qual a necessidade mais evidente do seu momento para escolher uma ou duas atividades que caibam na rotina;

  • entender que o seu processo de autocuidado é pessoal e intransferível e sua vida depende dele, ou seja, a responsabilidade é sua (tenha isso em mente).


Dessa forma, vamos dando o pontapé inicial para uma construção de uma jornada de bem-estar e qualidade de vida, para que possamos viver de modo pleno e digno como todo Ser Humano deve viver.



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